Segundo a pesquisa apresentada por Robert Waldinger no vídeo abaixo, uma vida boa é feita de boas relações.

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Esse é o mais longo estudo sobre longevidade feito no mundo. Desde de 1938, pesquisadores acompanham de perto dois grupos de homens: estudantes de Harvard e moradores dos bairros da periferia de Boston. Alguns tiveram “sucesso profissional” e se tornaram ricos, enquanto outros fizeram o caminho oposto. Entre os analisados, há médicos, advogados, pedreiros… Um deles até se tornou presidente dos Estados Unidos.

Durante mais de 80 anos, cientistas acompanham a rotina dessas pessoas para tentar responder a uma pergunta importante: “do que é feita uma vida boa?”. No vídeo, o diretor da pesquisa diz que mais importante que riqueza, fama e trabalho, são as nossas relações.

São doze minutos de uma fala que vale sua atenção! Caso você não tenha esse tempo, vou deixar aqui um resumo das três grandes lições aprendidas por Waldinger e os pesquisadores:

1) “Bons relacionamentos nos mantém mais felizes e saudáveis. Ponto final.”

A primeira é a mais impactante: “As pessoas que estão mais conectadas socialmente com família, amigos e comunidade, são mais felizes, fisicamente mais saudáveis e vivem mais do que as pessoas que têm poucas conexões.

Ele completa dizendo que a experiência da solidão impacta negativamente nossa saúde, acelera o processo de envelhecimento e faz com que nosso cérebro se deteriore mais cedo.

2) Não é a quantidade, é a qualidade

A segunda lição, segundo o cientista, é de não importa a quantidade de relações que cultivamos e se estamos ou não em um relacionamento amoroso:

O que é importa é a qualidade dos seus relacionamentos. Repetidas vezes, ao longo desses anos, nosso estudo tem mostrado que as pessoas que estavam melhores foram as que cultivaram bons relacionamentos com família, amigos, comunidade.”

Essa palavra, comunidade, me chama a atenção porque ela provoca uma tendência bem confortável de cuidarmos com mais afinco das nossas relações próximas. E, claro, elas podem e devem entrar nessa contabilidade qualitativa. Mas Waldinger faz um convite interessante: as possibilidades de relações são praticamente infinitas  — e seria um desperdício limitá-las ao nosso círculo mais íntimo.

3) Parceria é a palavra

Alguns anos atrás, durante um curso, ouvi do Gustavo Gitti uma pergunta que me fez pensar um bocado: “se você fica doente na madrugada, para quantas pessoas poderia ligar às três da manhã?”

Se fôssemos tentar dizer isso de um outro jeito, seria algo assim: quantas são pessoas com quem você tem uma relação de parceria tão profunda, que te ligariam no meio da noite para levá-las ao hospital? Ou ainda: como podemos nos tornar esse alguém com quem nossos amigos (e muitas outras pessoas) podem contar?

“E esses relacionamentos não têm que ser tranquilos o tempo todo. Alguns de nossos casais octogenários podiam discutir um com o outro dia sim, dia não. Mas se sentiam que poderiam contar um com o outro quando as coisas ficavam difíceis, aquelas discussões não prejudicavam suas memórias.

É essa a bonita descoberta do estudo: Uma vida boa é feita de boas relações. E boas relações são cultivadas por meio de parceria.