O Brasil é um país cheio gente dos mais variados lugares do mundo: são tantos traços, cores e formas! Essa diversidade, paradoxalmente, faz com que eu me sinta mais próxima dos outros. Como brasileira, eu frequentemente penso: “Todas as pessoas poderiam ser da minha família!”.

No entanto, é nos pequenos momentos do cotidiano que eu realmente me conecto com os outros. Por exemplo, quando eu espio o WhatsApp de uma pessoa no metrô que envia uma mensagem amorosa para alguém… Aquilo me parece tão familiar, como se aquela pessoa pudesse ser eu.
Um outro exemplo, e o que mais me conecta aos outros, é quando vejo um trabalhador almoçando em um restaurante simples. Aquela fome do meio-dia, aquela solidão de estar na enorme cidade de São Paulo, aquela rotina cansativa — isso eu conheço tão bem! Meu coração se expande imediatamente. E eu sempre penso que gostaria de poder estender essa sensação de que somos iguais para mais e mais pessoas.
Eu sou muito conectada à minha família. Tive a sorte de crescer numa grande e amorosa família que, com o tempo, está pouco a pouco se afastando. Meus queridos avós não estão mais aqui, e a conexão com meus tios, tias e primos está se dissolvendo naturalmente com a correria do cotidiano. No fundo, sinto que a resposta para esta tristeza profunda que carrego é perceber que todas as pessoas do mundo não são tão diferentes de mim. Todos fazem parte da minha grande família.
No ano passado, fui convidada para escrever um breve texto com o seguinte tema “Somos mesmo tão diferentes?”. A ideia da comunidade Tergar era reunir duas ou três pessoas de lugares muito diferentes para exemplificarem um ensinamento de Mingyur Rinpoche.
Aqui em cima, minha reflexão sobre quando eu me sinto mais próxima das outras pessoas — e uma dor que tenho carregado nos últimos tempos.
Na pesquisa “Tudo que você gostaria que seu RH soubesse 2024” cruzamos alguns dados e descobrimos que as pessoas que não têm um líder parceiro e um amigo próximo no trabalho tendem a sentir mais estresse e ansiedade.
Relações ruins nos afetam profundamente. O que temos feito para cuidar dos laços que nos mantêm inteiros? Em cidades cada vez mais urbanizadas, em vidas cada vez mais corridas, que hábitos posso ter para não cair na correria confortável do isolamento voluntário? Já parou para pensar nisso? Eu não paro de pensar nesse assunto.