Se você costuma ir ao mercado para fazer compras de natal, talvez goste desta história.
Dia desses estava eu, esperando no caixa da quitanda do bairro para pagar algumas frutas e chocolates, quando observei uma mulher à minha frente. Arrumadíssima (em um diazinho de semana normal), o carrinho bastante abastado, me pareceu logo de cara um pouco arrogante.
Dentro da minha mente imediatamente se criou uma identidade para aquela pessoa. Vou te poupar dos detalhes porque seria uma exposição desnecessária da minha capacidade julgadora (kkk), mas posso dizer que não materializei um ser humano agradável.
Chegou então sua vez de passar os itens no caixa. Enquanto esperava, meu julgamento piorou um pouquinho porque, no meio do processo, ela pediu que o filho buscasse alguns chocolates que havia esquecido.
No seu ritmo, pacientemente embalou tudo, pagou a conta, tirou os chocolates da sacola e disse para atendente do caixa: “esses são para você”. Cataploft. Não tive outra opção a não ser começar a gostar daquele ser generoso.

Em 2019, quando Tim Olmsted (um grande praticante de meditação) esteve no Brasil, ouvimos dele uma excelente instrução de prática: “notar quando sua mente julgadora se quebra totalmente”.
Desde então, levo essa instrução para vários momentos do cotidiano e consigo perceber como é rico quando nossas certezas são radicalmente impactadas.
Sabe aquela pessoa que um dia você “congelou” como fechada e, de repente, se derrama a chorar na sua frente? Ou alguém que você nunca imaginou pedindo desculpas e, humildemente, te manda uma mensagem com um “sinto muito”?
Pois a história do mercado me ensinou duas coisas. A primeira é que o Tim tem razão: essa é uma prática maravilhosa para contemplarmos a impermanência, tanto da nossa mente (que parece fixada, mas não é!), quanto das situações externas.
A segunda é que, desde então, algumas vezes que vou ao mercado compro um chocolatinho e ofereço para as pessoas que estão ali trabalhando. É sempre uma alegria!